Uma câmera na mão e um breve conhecimento na cabeça. Ou quase isso...

Parafraseando Glauber Rocha:"Uma câmera na mão e um breve conhecimento na cabeça". Ou quase isso.../Desde Fevereiro de 2015.
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02 novembro 2015

RIO CAPIVARÍ QUE ABASTECE CHAPADA DO NORTE MG ESTÁ SECO E A CIDADE SOFRE COM A FALTA DE ÁGUA

A crise hídrica que assola algumas regiões do Estado de Minas Gerais chegou a seu estágio mais crítico em Chapada do Norte MG em 2015. O Rio Capivarí que abastece a cidade no Vale do Jequitinhonha está completamente seco e a cidade padece com a falta de água nos lares chapadenses.
O rodízio no abastecimento de água está cada vez mais constante e há bairros que ficam semanas sem receber água em suas torneiras. Ruas sem água por 15, 20, 25 dias. Causando um verdadeiro caos na vida destas famílias e alterando totalmente a rotina destas pessoas.

As pessoas com poder financeiro para adquirir caixas d’água de 20 á 60 mil litros estão á fazê-lo visando atender suas necessidades comerciais: pousadas, padarias, mercearias e também necessidades pessoais. Outros que são proprietários de veículos com carrocerias têm viajado quilômetros buscando água em seus reservatórios para atividades básicas do dia a dia. Até motoqueiros tem usado seus veículos para carregar vasilhames com água. Cada um se virando como pode. No bairro conhecido popularmente como Bica onde uma água cristalina jorra por uma nascente há durante todo dia uma enorme aglomeração de pessoas que passam o dia todo aguardando em fila sua vez de levar para casa um balde ou outro recipiente com água para atender suas necessidades diárias. Há outros pontos na cidade como no jardim próximo á Igreja de Nossa Senhora do Rosário onde uma torneira é usada para amenizar o sofrimento dos moradores do entorno da igreja e até de pessoas que residem em pontos mais distantes: pessoas com baldes, bacias e outros utensílios para reservar água, aguardam pacientemente sua vez para levar para casa um pouco deste bem tão precioso. 
Virou rotina ouvir o barulho de bomba puxando água para residências da cidade. E as famílias ficam na expectativa, atentas á qual momento chegará água na torneira. Muitas vezes ela chega durante a madrugada e aí não há como deixar a oportunidade passar: é levantar e ir encher os vasilhames.
Como se não bastasse o grande sofrimento causado pela ausência de água em Chapada do Norte, a cidade ainda sofre com o forte calor durante todo o dia e até durante a noite que tem apresentado-se muito quente estendendo-se até a madrugada. E para completar as estradas da BR 367 que dão acesso á cidade seja pra quem chega de Minas Novas ou de Berilo, estão esburacadas e cobertas por um mar de poeira.
Há uma grande preocupação na população chapadense sobre o futuro dos moradores da cidade. Como serão suas vidas se o rio que abastece a cidade está seco e a chuva é cada vez mais escassa na região?
Que providências serão tomadas pensando na solução de tão grande problema?
Ainda não há respostas para tais questões. Mas há a certeza que tal problema a cada dia que passa vai tomando proporções muitos grandes. E conforme o tempo vai passando, mas difícil fica para resolvê-lo.














































Fotos: Maurício Costa

08 fevereiro 2015

Trechos da Rodovia Federal BR 367 que ligam os municípios mineiros de Minas Novas, Chapada do Norte, Berilo e Virgem da Lapa no Vale do Jequitinhonha sofrem com descaso das autoridades



Os municípios mineiros de Chapada do Norte, Minas Novas, Berilo e Virgem da Lapa possuem algumas características comuns bem interessantes como as festas religiosas carregadas de fé e devoção dos fiéis, igrejas antigas, grupos folclóricos de bastante expressão musical, rico artesanato de palha, couro e barro, irmandades que difundem a histórias, danças, costumes e resistências dos antepassados negros, cultura muito forte, patrimônio material e imaterial de destaque no Estado, comunidades quilombolas... Mas ao mesmo tempo um outro ponto comum ás ligam de forma negativa: as estradas de terra da Rodovia Federal BR 367. Como sempre acontece em períodos de chuvas constantes o trecho da Rodovia BR 367 que liga principalmente os municípios de Minas Novas a Chapada do Norte , Chapada do Norte a Berilo e Berilo indo para Virgem da Lapa fica completamente intransitável  devido o péssimo estado de conservação das estradas de terra que nesta época transformam-se em um verdadeiro atoleiro. Essas situações trazem uma série de transtornos aos moradores destes municípios, pois eles ficam praticamente presos dentro de suas cidades já que a circulação de ônibus, caminhões e muitos outros carros é praticamente impossível ocasionando uma série de prejuízos. As escolas rurais são muito prejudicadas uma vez que os professores encontram dificuldades de chegar até as dependências das instituições de ensino que lecionam, feirantes ficam impossibilitados de trazer seus produtos para comercialização, caminhões baús ficam sem ter condições para entregar suas encomendas, o Correio não recebe produtos que foram enviados, vendedores comerciais não visitam essas cidades, viajantes e turistas não chegam na data prevista e várias outras ações param nesta época. Um problema que repete-se há décadas após décadas. Políticos destas regiões e em alguns casos pessoas da sociedade civil se mobilizam em ações tentando buscar soluções: reuniões, encontros, petições, negociações com autoridades representantes do Estado mineiro.  Moradores destes municípios realizaram recentemente dois manifestos para tentar chamar a atenção das autoridades do governo estadual para a realidade de descaso com a BR 367 que já atravessa décadas. Os taxistas da região em um curto espaço de tempo se vêem obrigados a trocar seu veículo de trabalho visto que em nossas estradas eles se desvalorizam e ficam estragados em pouco tempo. Até as pessoas com condições financeiras para adquirir um carro do ano e de luxo, dizem optar por um modelo inferior devido ás condições da nossa rodovia. Em 2011 fiz algumas fotografias no trecho entre Chapada do Norte e Berilo no percurso que fazia indo para a comunidade do Córrego do Rocha onde lecionava. As chuvas que caem são uma grande benção para a região do Vale do Jequitinhonha, mas as péssimas estradas não possuem estrutura para recebe-las. Mas o problema deste trecho da BR 367 não resume-se apenas ao período chuvoso (que infelizmente é escasso), durante a maioria do ano os habitantes das cidades que fazem uso destas estradas sofrem é com a poeira e os buracos que dificultam a circulação dos veículos que transitam por essas estradas. Sempre que aproxima-se as eleições para prefeito, governador e presidente é comum aparecerem candidatos afirmando que este trecho será asfaltado, mas até hoje ele está entregue a lama durante a chuva e a poeira e buracos durante boa parte do ano. E assim as estradas ruins desta rodovia vão causando prejuízos a economia, saúde, educação, esporte, lazer, cultura e em outros setores dos municípios aos quais elas dão acesso. O Movimento Filhos do Vale formado por cidadãos civis dos municípios afetados luta incansavelmente em prol do asfaltamento do trecho citado acima. O grupo já elaborou inúmeros documentos, dossiês,  estiveram presentes em Brasília, Belo Horizonte com políticos do Estado e do país, além de ter realizados eventos em suas cidades para mobilizar a população e os poderes públicos locais e do Estado.
Mais fotografias no Flickr: https://flic.kr/s/aHsjTGnPAT
















































































Fotos: Maurício Costa