Uma câmera na mão e um breve conhecimento na cabeça. Ou quase isso...

Parafraseando Glauber Rocha:"Uma câmera na mão e um breve conhecimento na cabeça". Ou quase isso.../Desde Fevereiro de 2015.

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

POPULAÇÃO CHAPADENSE VIVE DIAS DE ANGÚSTIA, SOFRIMENTO, REVOLTA E INCREDIBILIDADE POR CAUSA DA CRISE HÍDRICA

No ano de 1995 estive em Pesqueira/Pernambuco com o médico Dr. Joaquim Souto Filho para acompanhar um grande evento de teatro que acontecia na cidade. Além do envolvimento das pessoas com a cultura local, outro fato me chamou a atenção: a forte crise hídrica que a cidade atravessava. Nas casas que fui às pessoas tinham reservatórios de água em casa, ás vezes em um cômodo da residência específico para tal armazenamento.  O rio que abastecia a cidade estava seco. E nas ruas havia enormes filas de moradores aguardando por baldes com água fornecidos por carros pipas. E nas casas havia uma organização das famílias para economia de água. Mesmo acompanhando pela TV as notícias sobre a seca do Nordeste, fiquei na época perplexo em presenciar estas cenas do sertão nordestino. Principalmente por que naquele período tínhamos água em abundância no Rio Capivarí.
De lá para cá se passaram vinte anos, e as cenas que temos presenciado nas ruas de Chapada do Norte MG, são muito semelhante ás de Pesqueira ou á aquelas que a televisão repetia com freqüência sobre a seca no Nordeste: enormes filas de chapadenses aguardando para conseguir um balde d’água, relatos de moradores sobre as dificuldades enfrentadas, muita preocupação á respeito de qual será a solução para o problema, abusos e cenas de desrespeito com o próximo, cansaço, desânimo.
Repete-se no município de Chapada do Norte MG a crise causada pela falta de água, e seus moradores tem vividos dias de angústia, desespero, incredibilidade e sofrimento: o Rio Capivarí está seco, a estiagem dura já por um longo período de meses, o forte calor impera neste período, a Copanor, empresa responsável pela distribuição da água encontra sérias dificuldades para distribuir água, e por enquanto soluções ainda não apareceram.
Há bairros onde os moradores têm relatado que não receberam água em suas residências após o término da Festa de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos que se encerrou em 12 de Outubro.
Paliativamente foram distribuídas em alguns bairros da cidade caixas d’água de dez mil litros cada uma e os moradores organizam-se em filas para pegar água. Há registros de pessoas nas filas durante o dia, tarde, noite e madrugada, desde crianças á idosos. Alguns proprietários de poços artesianos têm abastecido seus lares e também de vizinhos, amigos e familiares. Outros têm buscado água em seus próprios veículos. Outras famílias têm recorrido a Bica e lá uma multidão se organiza para trazer alguns litros e em outro bairro uma torneira tem sido a salvação de vários moradores. Por outro lado há famílias compostas por idosos, por deficientes, por vítimas de AVC, acamados por outros males e outros grupos que não possuem condições de sair de casa para buscar água. Para estas o tormento é muito maior. E um dos recursos encontrado é pagar para que alguém faça o serviço. O sofrimento também é enorme para famílias que não possuem caixas ou vasilhames para armazenamento e que viviam usando a água que saía da torneira.
Na reunião da Câmara de Vereadores realizada em 03 de Novembro houve a participação de várias pessoas em busca de informações sobre quais medidas seriam tomadas para encontrar uma solução para o problema. Cada vereador relatou o que desenvolveu até agora para amenizar a crise. Mas os presentes queriam ouvir mais. Um grupo de manifestante via WhatsApp organizou um protesto para acontecer durante a reunião, mas a Polícia Militar foi chamada e compareceu ao local para acalmar os ânimos. Mesmo assim após o fim da reunião houve vaias e pedidos para que soluções sejam encontradas o mais rápido possível.
Os presentes na reunião queriam que o poder público apresentasse medidas emergenciais para amenizar a crise hídrica e que providenciasse carros pipas para atender a população que tanto sofre. Mas segundo informações repassadas na reunião isto não é possível no momento, considerando que o município atravessa também uma crise financeira forte.

E assim a cidade vai vivendo dias de desespero, dificuldades e muito sofrimento. Problema que também atingiu alguns distritos. E a pergunta fica no ar: até quando a população chapadense viverá constantemente com a falta de água?










Fotos de usuários do WhatsApp e Facebook










Fotos: Maurício Costa